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05/04/2023

Tony Iommi conta as histórias por trás de músicas famosas do Black Sabbath

O editor Marcelo Viegas preparou pra você uma lista com músicas do Black Sabbath que o Mestre dos Riffs, Tony Iommi, cita no livro Iron Man.

E mais: com comentários! Aqui você vai conhecer pequenas histórias contadas pelo próprio Iommi sobre cada uma das 22 faixas da playlist.

Tem algumas ausências, vale a ressalva, pois os discos Headless Cross, TYR, Cross Purposes e Forbidden não estão na plataforma de streaming.

Apesar do álbum 13 ter sido lançado depois da publicação original do livro (2011), é interessante notar que Iommi fala sobre a possibilidade de um novo material do Sabbath alguns anos antes de efetivamente entrar em estúdio com a banda, como é possível ver no comentário que encerra essa lista.

Aumente o volume e dê o play aqui!

 

BLACK SABBATH

“Eu tinha acabado de criar o riff de ‘Black Sabbath’. Toquei ‘dom-dom-dommm’. E foi tipo: ‘É isso aí!’. Criamos a música a partir daí. Assim que toquei aquele primeiro riff, todos nós falamos: ‘Meu Deus, é bom demais. Mas o que é isso? Sei lá!’. Era um negócio simples, mas tinha uma atmosfera. Só depois descobri que eu tinha usado o ‘intervalo do diabo’, uma progressão de acordes tão sombria, que na Idade Média a Igreja a tinha proibido de ser tocada. Eu não tinha ideia, aquilo saiu de algo que eu sentia por dentro. Foi como se tivesse sido arrancado de mim à força [...].”

 

THE WIZARD

“Nessa época, a gente usava muita droga. Uma noite, estávamos em um clube no meio do nada. O Ozzy e o Geezer viram alguém saltitando do lado de fora, fazendo gracinha. Acharam que era um elfo ou coisa assim. Receio que tenha sido efeito das drogas, mas acho que foi daí que surgiu ‘The Wizard’, outra daquelas primeiras músicas. Eles simplesmente colocaram o que viram na letra.”

 

IRON MAN

“Fumávamos muita maconha, talvez por isso algumas das letras sejam um tanto fora do comum. Como ‘Iron Man’, que foi tirada de uma revista em quadrinhos sobre um robô que ganha vida. Imagino, de verdade, que houvesse um conceito sério por trás da ideia de que um ser vivo não conseguisse sair daquele corpo, não conseguisse sair daquela coisa.”

 

PARANOID

“Todas as nossas músicas tinham mais de 5 minutos. Nunca havíamos feito uma de 3 minutos, então a ‘Paranoid’ era um treco descartável: ‘Essa aí vai ser o tapa-buraco’. Nunca imaginamos que ela seria o hit. De todas as nossas músicas, ela é sempre a que as pessoas colocam em coletâneas, usam como trilha sonora na TV e em filmes. E levamos uns 4 minutos pra escrevê-la. É muito básica, um negócio simples, tem um tema cativante que parece encantar as pessoas.”

 

SWEET LEAF

“Tocamos ‘Sweet Leaf’ chapados, já que naquela época fumávamos muita maconha. Quando eu estava gravando uma parte acústica para alguma outra música, o Ozzy levou um baseado gigante pra mim e falou: ‘Dá uma bolinha aí’. E eu: ‘Não, não’. Mas dei, e aquela merda me sufocou. Minha cabeça explodiu de tanto tossir, eles gravaram aquilo e foi o que usamos no início de ‘Sweet Leaf’. Que adequado: abrir uma música sobre maconha tossindo... e aquela é a melhor performance vocal de toda a minha carreira!”

 

INTO THE VOID

“‘Into the Void’ é uma das minhas músicas prediletas com aquela formação [...]. Ela têm um riff inicial que muda os tempos ao longo da música. Gosto disso. Gosto das coisas elaboradas com partes interessantes. Para o Ozzy, encaixar as letras do Geezer nem sempre era fácil. Ele pelejou muito com ‘Into the Void’. A música tem um trecho lento, mas o riff em que o Ozzy entra é muito rápido. Ele tinha que cantar muito depressa: ‘Rocket engines burning fuel so fast, up into the night sky they blast’ – palavras rápidas como essas. O Geezer tinha escrito todas as letras para ele. ‘Rocket wuhtuputtipuh, que porra é essa? Não dá pra cantar isso!’ Vê-lo tentar cantar aquilo foi hilário!”

 

CHANGES

“Achei um piano no salão lá da casa e costumava ficar tocando aquilo depois de ter dado milhões de tiros de cocaína. Nunca tinha tocado piano e comecei a aprender ali mesmo, em algumas semanas. Imagina só, eu ficava acordado a noite inteira, toda noite, mandava um teco de cocaína, tocava um pouco, outra carreira de pó, tocava, então devo ter ficado ligado o equivalente a seis semanas. E fazendo isso compus ‘Changes’.”

 

SNOWBLIND

“Aquele foi um dos períodos mais divertidos que tivemos, e uma música como ‘Snowblind’ deixa claro que também foi por causa de uma certa droga. Por isso escrevemos no encarte do disco: ‘Gostaríamos de agradecer à grande empresa COCA-Cola’. Foi só um gesto de agradecimento aos nossos fornecedores.”

 

SABBATH BLOODY SABBATH

“O riff de ‘Sabbath Bloody Sabbath’ foi a referência para aquele disco. Era um riff pesado, depois a música entrava numa pequena parte mais leve e aí o riff voltava: a luz e a sombra que sempre uso. O Ozzy canta muito bem nela. Na verdade, em todas as músicas do álbum. Num tom muito alto!”

 

SABBRA CADABRA

“O Rick Wakeman tocou em ‘Sabbra Cadabra’. Ele não quis receber dinheiro pelo serviço, então pagamos em cerveja. A gente dava umas boas risadas com ele.”

 

SYMPTOM OF THE UNIVERSE

“O Sabotage tem músicas incomuns, como ‘Symptom of the Universe’. Foi classificada como o primeiro metal progressivo e não discordo. Ela começa com um violão, depois passa para aquela parte acelerada pra dar a dinâmica, e ela tem muitas mudanças, inclusive a jam no final. E esse finalzinho foi feito no estúdio. Gravamos a música e, depois de finalizarmos, continuamos tocando. Mandei um riff, os caras entraram, a gente continuou tocando e acabamos incluindo no disco. Depois fiz um overdub de violão.”

 

DIRTY WOMEN

“‘Dirty Women’ era uma música sobre prostitutas, porque estávamos na Flórida, o Geezer tinha visto um monte de garotas de programa por lá e escreveu sobre o assunto. Isso não quer dizer que curtíamos prostitutas. Certa noite, em que estávamos no distrito da luz vermelha, em Amsterdam, fui a um daqueles lugares. Eu estava bêbado e peguei no sono. Roncando alto, entrei no tempo extra e, quando dei por mim, tinha um cara gritando comigo: ‘Cadê a grana?!’. E então ele me botou pra fora do lugar. Não fiz nada a não ser apagar lá dentro.”

 

NEVER SAY DIE

“A faixa-título, ‘Never Say Die’, foi lançada como single, o primeiro desde ‘Paranoid’. Tínhamos dito que nunca mais faríamos outro single, porque eles atraíam muitos adolescentes escandalosos. Mas anos já tinham se passado, então ligamos o foda-se. A música entrou nas paradas britânicas e até participamos do Top Of The Pops com ela.”

 

A HARD ROAD

“Apesar do frio, da maconhada e do estúdio, conseguimos gravar o disco. Fiz backing vocals em ‘A Hard Road’. Foi a primeira vez que cantei. E a última, porque os caras não conseguiam ficar sérios. Eu estava cantando olhando pra eles, e o Geezer ficava rachando. Tive que continuar cantando, e ele não parava de rir. Foi muito constrangedor. Nunca mais!”

 

HEAVEN AND HELL

“Quando estávamos em L.A., tínhamos um daqueles gravadores JVC com microfones embutidos, então dava pra gravar tudo o que fazíamos e em qualquer lugar. Ficávamos em casa levando um som. Eu tinha um amplificador pequeno de poucos watts, tínhamos uma bateria também pequena, e devemos ter tocado ‘Heaven and Hell’ durante séculos. Gostávamos demais dessa música. O Ronnie fez umas partes de baixo no início, depois o Geoff assumiu. O Ronnie cantava alguma coisa, e isso nos dava a dica de qual caminho seguir. Fomos construindo a música assim, com essas jams.”

 

TURN UP THE NIGHT

“‘Turn Up the Night’ era uma música rápida, boa para abrir o disco. Trabalhar com o Ronnie fazia, de alguma maneira, as músicas rápidas me virem com mais facilidade do que antigamente.”

 

HOT LINE

“Alguém também sugeriu que o riff de ‘(You Gotta) Fight for Your Right (To Party!)’, do Beastie Boys, é emprestado da nossa música ‘Hot Line’. Se é verdade, vamos processar os caras. Não vamos mais tocar, só viver da grana dos processos! Desnecessário dizer que não processamos!”

 

THE SHINING

“‘The Shining’ foi o primeiro single do disco. Era uma espécie de ‘Heaven and Hell’ mais rápida, tinha um andamento similar. Precisávamos fazer um vídeo pra ela, mas, sem o Bob e o Eric, não tínhamos baixista nem baterista. A gente arrumou um guitarrista que eu nunca tinha visto na vida, e ele acabou fingindo que estava tocando baixo no vídeo. Puta merda, aquilo estava ficando ridículo. O Terry Chimes, do The Clash, tocou bateria no vídeo.”

 

TIME MACHINE

“‘Time Machine’ era uma música que tocávamos havia anos. A gente a compôs para a trilha sonora do Quanto Mais Idiota Melhor, e a gravamos muito antes de entrarmos em estúdio com o Reinhold Mack. Leif Mases tinha produzido o disco do Jeff Beck, que era empresariado pelo Ernest Chapman, e foi assim que o chamamos para produzir só essa música. O Leif tinha feito umas coisas com o ABBA no passado. Do ABBA para o Sabbath – isso, sim, é ecletismo.”

 

PSYCHO MAN

“O Bob Marlette usou baterias programadas só pra gente poder experimentar uns riffs. Foi assim que fizemos com ‘Psycho Man’: toquei um riff, ele colocou uma batera e começamos a desenvolvê-la assim. O Ozzy ia ao estúdio, e desaparecia, e voltava, e ficava sentado em outra sala, e comia um sanduíche, e pegava no sono e fazia sei lá mais o quê. Direto ele cochilava no sofá na sala de controle durante a composição da música.”

 

IRON MAN (LIVE)

“Em fevereiro de 2000, ganhamos o nosso primeiro Grammy, por Melhor Performance de Metal com ‘Iron Man’, a versão do disco Reunion. Pensei: ‘Caramba, nesses anos todos fazendo música nunca ganhamos nada, e, quando finalmente recebemos um Grammy, é por causa de um treco ao vivo!’.”

 

LIVE FOREVER

“Compus uma ou duas músicas para o Black Sabbath, e tenho mais um monte por vir. Mas nunca se sabe. Quando você ler isto, talvez estejamos em estúdio gravando, ou já até tenhamos um disco nas lojas. Ou talvez isso não dê em nada e a reunião nunca aconteça. Ou talvez a gente esteja planejando outra turnê, ou nunca mais divida o palco.”