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15/08/2023

Rush in Rio: A triunfante primeira passagem do Rush pelo Brasil

No começo dos anos 2000 o Rush já era considerado um dos grandes nomes da música e um dos principais representantes do rock no Canadá. Com mais de 30 anos de estrada, o trio canadense se preparava em 2002 para sua primeira passagem pelo Brasil.

A banda não imaginava a euforia e a catarse que encontraria nas três apresentações em terras brasileiras. Essa turnê foi responsável por consolidar o fenômeno global que o Rush havia se tornado, causando espanto nos músicos que não esperavam tamanha comoção dos fãs brasileiros.

O impacto da primeira passagem do Rush pelo Brasil foi tamanho que a banda registrou esse momento marcante de sua carreira em um CD e DVD chamado Rush in Rio.

No livro Rush Através das Décadas, o jornalista Martin Popoff reserva um destaque especial para esse momento na carreira da banda, trazendo reflexões do próprio Geddy Lee sobre suas memórias do período que passaram pelo Brasil. O livro considerado a bíblia do Rush finalmente está chegando ao Brasil pela editora Belas Letras e já se encontra em pré-venda no site da editora e nas principais livrarias do país.

Enquanto o livro não chega nas mãos dos fãs, separamos um trecho do livro que relata a experiência do Rush em sua primeira turnê no Brasil.

Rush in Rio

“Vocês nos deixaram arrepiados!”

Após a volta olímpica em torno da América do Norte durante apenas cinco meses, o Rush iria coroar a turnê Vapor Trails de forma extraordinária – tocando no Brasil pela primeira vez na história. Três shows triunfantes, o resultado capturado num CD ao vivo e num box de DVDs chamado Rush in Rio, lançado com enorme aclamação em 21 de outubro de 2003 e que ganhou o prêmio Juno de melhor DVD em abril de 2004. Causando espanto na curta turnê no verão e no outono, a ida ao Brasil simbolizava o fenômeno global que discretamente haviam se tornado. E isso sem ostentar tal status – apesar dos integrantes serem viajantes do mundo na vida pessoal, Geddy, Alex e Neil nunca exploraram muito outros lugares com a banda.

Rush in Rio captura toda a loucura que foram os três shows no país, consistindo em apresentações nos dias 20 de novembro, no antigo Estádio Olímpico de Porto Alegre, 22 de novembro, no Estádio Morumbi em São Paulo, e 23 do mesmo mês no Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro.

Até aquele momento, o Rush tinha apenas excursionado pelo Japão uma única vez, dançado hula-hula no Havaí duas vezes, viajado pela Europa com poucas oportunidades para explorar o território um pouco mais e feito um único show no Mexico na turnê Vapor Trails. E isso resume a exploração do globo deles. É importante pontuar que a América do Sul adora hard rock, heavy metal e rock progressivo, sendo esse último a mistura perfeita de duas convergências naturais dos três gêneros: power metal e metal progressivo. Levar o Rush para debaixo da linha do Equador aconteceu sob condições incendiárias que se provariam explosivas.

Geddy oferece um vislumbre das maquinações que se sucederam para que algo dessa magnitude sequer acontecesse: “Com frequência recebemos convites anuais para tocar no festival Rock in Rio em janeiro. Toda vez que o festival aconteceu, fomos convidados, mas estávamos ou no estúdio gravando – e não se pode simplesmente fazer uma pausa na gravação só para fazer um único show no exterior – ou não estávamos em turnê na época para tirar férias, foi apenas um problema de agenda. E o produtor local estava determinado a nos levar lá naquele ano, então manteve uma negociação conosco, implorando que fossemos até o Brasil, dizendo: ‘Vocês não fazem ideia do quanto são populares aqui’, o que, é claro, era verdade. As vendas de discos eram consideráveis lá, mas os números em si não podiam dar uma noção exata para nós porque há um mercado de pirataria bem forte por lá, assim não tem como saber o quanto está mesmo vendendo”.

É óbvio, para isso acontecer deveria haver algumas garantias: “Ah, sim, eles nos prometeram que pagariam determinada quantia por show e cobririam todas as nossas despesas, além de nos mandar o pagamento adiantado. Nossos empresários, sendo excessivamente xenofóbicos e paranoicos, queriam ter certeza de que todos esses itens fossem cumpridos antes de nos mandar para lá. Não podia ficar fora de questão. E não sei se tínhamos muita dúvida quanto a isso, sendo bem honesto, porque nosso agente na América Latina é o mesmo que temos na Europa e no resto do mundo, e ele é bem experiente. Não tinha como nos colocar em contato com alguém de lá que não nos pagaria, isso realmente nunca foi questionado. Nossa dúvida na época era se éramos mesmo tão populares quanto ele dizia que éramos, ou se haveria assistência técnica disponível do tipo que precisávamos para produzir um show do modo como fazemos. Mas eu tinha conversado com alguns amigos meus que tocaram lá com outras bandas, além de outros empresários e pessoas assim. Muitos vinham fazendo apresentações por lá já há algum tempo, então, de verdade, acho que não tínhamos receio algum”.

“Durante anos recebemos ofertas para tocar na América do Sul e nunca realmente deu certo, ou nunca parecia adequado de alguma forma”, confirma Ray direto de seu escritório. “Neil é um aventureiro e preferia ir numa aventura sozinho do que carregar essa coisinha chamada Rush. Já é complicado o suficiente levar esses caras até a Europa com certa regularidade. Então quando surgiu a oportunidade, eu os deixei sabendo no que estavam se metendo, e Alex e Geddy disseram que queriam mesmo ir e que estavam prontos. Havia esse produtor que tentava levar o show do Rush para lá havia uma década pelo menos, coisa de quinze anos. E eu ficava enviando exigências, pedidos, queria escolta, essas coisas, tudo o que seria necessário para levá-los até o Brasil. Esse produtor estava muito engajado no projeto e só nos dizia sim, sim, sim e sim, então acabamos indo. E, para nossa surpresa, foi tão imenso quanto ele dizia que seria.”

Não deixe de viver essa experiência e outros momentos marcantes da história do Rush nos anos 70, 80 e 90 com Rush Através das Décadas. A obra é a biografia definitiva do Rush e o livro de cabeceira para todos os fãs da banda.