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22/01/2026

Ozzy Osbourne - O Último Ritual

Chegou ao nosso catálogo o livro Ozzy Osbourne: O Último Ritual, a derradeira autobiografia de um dos maiores ícones da história do heavy metal. Concluído poucos dias antes de seu falecimento, o livro reúne as memórias finais de Ozzy com a honestidade brutal que sempre marcou sua trajetória, além do humor ácido, da ironia afiada e de uma carga emocional rara até mesmo para seus padrões.

Aos 69 anos, Ozzy parecia viver um momento de consagração definitiva. A turnê de despedida seguia triunfal, com arenas lotadas e elogios vindos de todas as partes do mundo. Era o fechamento perfeito para uma carreira lendária. Mas, de forma abrupta, tudo desmoronou. Em poucas semanas, ele passou de uma internação por uma infecção no dedo a uma condição que o deixou quase totalmente paralisado do pescoço para baixo. A turnê foi cancelada, a vida pública interrompida — e o livro passou a registrar o período mais frágil, doloroso e, paradoxalmente, mais revelador de sua vida.

Mesmo nos momentos mais sombrios, Ozzy não perde o humor. Ele relembra, com sarcasmo, os fãs completamente fora da curva que cruzaram seu caminho ao longo dos anos: o sujeito que carregava uma presa de mamute de cinco milhões de anos, outro que pichou seu nome pela casa inteira antes de enviar um vídeo como prova. “Muitos dos malucos saíram da toca depois que a coisa do morcego aconteceu”, escreve, sem perder a clássica autodepreciação.

A autobiografia também revisita os altos e baixos de sua carreira. Ozzy fala abertamente sobre o impacto da ascensão do Van Halen, que “explodiu no pior momento possível para o Sabbath”, roubando a atenção do público enquanto o Black Sabbath parecia ficar para trás. Ele admite o incômodo de Never Say Die! ter sido seu último disco com a banda naquela fase, o que transformou o retorno para gravar 13 em algo quase espiritual. “Eu sabia que ainda tínhamos mais um álbum matador”, escreve. Curiosamente, esse capítulo começa nos anos 1980, com uma ligação inesperada de Rick Rubin que mudaria tudo.

Nas páginas finais, Ozzy atinge um nível raro de franqueza. Ele fala abertamente sobre viver com Parkinson, quebrando a ideia de que suas dificuldades motoras e de fala eram apenas consequência de excessos do passado. “O que era justo, eu acho. Mas não a verdade”, afirma. Ainda assim, há espaço para esperança: “Tudo o que eu queria era chegar ao último show. E caminhar novamente.”

O ponto mais emocionante do livro é seu retorno ao palco com o Black Sabbath. Três semanas antes da apresentação, a banda se isola para ensaiar em um estúdio afastado, no campo. No dia do show, Ozzy se vê cercado por filhos, amigos, antigos companheiros de estrada e nomes lendários como Slash, todos tomados pela emoção. Ao subir ao palco diante de 42 mil pessoas — com outras 5,8 milhões assistindo on-line —, ele finalmente percebe a dimensão do que construiu. “Nunca imaginei que tantas pessoas gostassem de mim”, confessa.

Ozzy Osbourne: O Último Ritual é engraçado, duro, emocionante e profundamente humano. Um livro que mostra por que Ozzy ultrapassou os rótulos de “Príncipe das Trevas” e “Poderoso Chefão do Metal” para se tornar algo maior: um herói folk moderno, um símbolo cultural e, para milhões de fãs, um verdadeiro tesouro. Não é exagero dizer: Ozzy não teve nove vidas. Teve, no mínimo, vinte e sete.