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06/04/2023

Minha Jornada com Shurastey: O livro escrito por Jesse Koz que conta suas aventuras pela América do

Texto por Zizo Asnis

Um cara viajando pela América do Sul de fusca e ainda com seu cachorro?
Que máximo! – pensou Zizo Asnis, editor e escritor, dono de uma pequena editora de livros de viagem, O Viajante, ao descobrir no Instagram, numa tarde fria de junho de 2017, esse jovem brasileiro que naquele momento se encontrava na Patagônia. Isso daria um bom livro, pensou.  Conversou com seus amigos da editora Belas Letras, que adoraram a ideia, e logo tratou de fazer contato com o tal cara.  

O “tal cara” era Jesse Koz; o fusca, ano 1978, o Dodongo; e o cachorro… bem, o cachorro era o Shurastey, um golden super fofo que tinha esse nome mesmo, inspirado numa música do The Clash. Jesse ainda viajava, e só conseguiu conversar direito com o Zizo quando chegou no Ushuaia, o ponto mais meridional das Américas, e voltou ao Brasil.

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

Jesse ainda não era um influenciador digital, não tinha tantos seguidores assim, mas para Zizo e a turma da Belas Letras isso pouco importava, afinal viajar pela América do Sul num fusca, acompanhado apenas de um cachorro, certamente era uma grande viagem, que provavelmente seria uma grande história que merecia ser contada.

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

Além do que, Zizo já tinha experiência em editar livros de viajantes. Fez assim com um publicitário que com sua namorada foi até o Chile comprar um vinho (Alberto SchwankeUma Estrada para o Chile), um jovem que saiu do nordeste do Brasil e percorreu de moto o norte da América do Sul (Robison PortioliVida Nômade), uma ex-produtora de TV que com seu noivo deu um giro no globo (Nara Alves66 história de uma volta ao mundo), com sete bravas viajantes-escritoras, cada uma viajando sozinha por um continente diferente (Bravas Viajantes), com outros seis travel writers, cada um tendo viajado e escrito o capítulo de um livro (Embarque Imediato). Ora, porque não esse aventureiro num fusca com seu cachorro até o fim do mundo?

Além do que, Zizo Asnis, ele próprio era (é) um travel writer, tendo escrito guias de viagem, inclusive pela América do Sul (Guia Criativo para O Viajante Independente na América do Sul, atualmente na 8ª edição, Guia O Viajante ArgentinaGuia O Viajante Chile), livro de dicas (Partiu! Tudo que você precisa saber para viajar pelo mundo), e narrativa de viagem (Transiberiana).

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

Assim, tinha tudo a ver convidar aquele cara para escrever o livro. Jesse ouviu a ideia e curtiu na hora. Animado, chegou até ir a Caxias do Sul, sede da Belas Letras, a editora parceira, para assinar o contrato da obra.

FOTO: ACERVO BELAS LETRAS

Jesse, no entanto, ficou um pouco receoso em como fazer isso. Afinal, não tinha experiência em escrever longas histórias, além daquilo que postava no Instagram e Facebook. Tampouco contava com estrutura para isso, pois não tinha notebook ou mesmo um lugar para trabalhar, já que sua casa era o fusca – ou o mundo.

Mas o universo estava conspirando a favor. Zizo tinha um apartamento vago em Porto Alegre, com computador, e tinha a experiência necessária para passar ao Jesse. Foi aí que um convidou o outro, e em poucos dias Jesse Koz se mudou com mala e cuia, ou melhor, com cachorro e fusca, para a capital gaúcha, se estabelecendo na casa de Zizo Asnis com o único objetivo de escrever o livro.

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

Por dois e meses e meio, Jesse viajou pelas letras. Viajou pela memória afetiva de sua infância, de como desde cedo começou a se interessar por fuscas; viajou por sua adolescência rebelde, de como fugiu de casa e foi morar em Santa Catarina; viajou para o início de sua amizade com Shurastey, de como adotou aquele cãozinho e lhe deu esse nome tão pitoresco; e, claro, viajou (novamente) pelas estradas do sul do Brasil, do Uruguai, da Argentina, do Chile, do Paraguai, sempre com o fusca, sempre com Shurastey.

Por dois meses e meio, viajou por todos esses lugares sem sair do lugar – uma mesa com computador, entre um grande mapa mundi e uma janela com vista para o lago Guaíba, durante o verão porto-alegrense de 2017-2018. Apenas se desligava da escrita quando Shurastey vinha lhe pedir colo – ou para passear –, ou quando o Zizo vinha lhe dar uns toques sobre a escrita.

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

Na época, Zizo lançou um livro, Partiu! – cujo nome até poderia ser um resumo da vida do Jesse, que foi no evento de lançamento. Depois, quando foram comemorar tomando cerveja e comendo um xis no tradicional X-Calota, já começaram a falar sobre como seria o evento de lançamento do livro de Jesse. Infelizmente, não deu tempo.

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

Pouco depois, Jesse terminou a escrita do seu livro e, como bom viajante, contaminado pela coceirinha viajante, a bordo do Dodongo, junto com Shurastey, partiu. Primeiro, partiu pelo Brasil. Depois, partiu pelo norte da América do Sul, pela América Central, pela América do Norte. Partiu pelos Estados Unidos rumo ao Alasca. E por fim, a bordo do Dodongo, junto com Shurastey, partiu.

FOTO: CORTESIA ZIZO ASNIS

“Minha jornada com Shurastey” é mais que um livro. É mais que a história de um viajante num fusca com seu cão. É mais que uma emocionante narrativa de viagem por alguns dos lugares mais fantásticos da América do Sul.  É sim um tributo póstumo a um jovem sonhador e sua linda amizade com um cachorro, seu grande companheiro. E por que não, um brinde à vida, o que Jesse soube bem fazer nos seus breves 29 anos e, nos mostra pelas páginas de sua obra.