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voltar Criatividade 28/04/2020 Que valor você dá às coisas que têm?

Os psicólogos Shane Frederick e George Lowenstein estudaram durante anos pessoas que ganharam na loteria. Teoricamente, ganhar na loteria permitiria a qualquer pessoa viver a vida dos seus sonhos. Mas eles descobriram que, passado um tempo curto de euforia que surgia como quando você pode comprar uma Ferrari à vista, por exemplo, essas pessoas que ganharam na loteria não eram mais, nem menos felizes do que antes do prêmio.

O ser humano é insaciável por natureza. Santo Agostinho dizia que o desejo não tem descanso. Quando compramos um celular novo, por exemplo, ou uma TV maior, temos um pico de felicidade momentâneo, mas, em pouco tempo, já passamos a desejar um celular mais moderno ou uma TV ainda maior. Shane e George deram inclusive um nome a esse fenômeno: adaptação hedônica. Somos levados por ele não apenas com bens materiais, mas em tudo.

Na faculdade, damos duro sonhando com um bom emprego. Quando conseguimos um bom emprego, queremos construir uma carreira. Se nossa carreira decola, reclamamos que os outros não reconhecem ou não sabem do nosso esforço para chegar lá. Nós também vivemos adaptação hedônica nos nossos relacionamentos. Primeiro, encontramos o homem ou a mulher “dos nossos sonhos”. Namoramos pensando em quando vamos nos casar ou viver juntos. Quando estamos juntos, em quando vamos ter filhos. E, se antes queríamos estar juntos, depois de algum tempo começamos a notar as imperfeições do outro e a buscar a felicidade em outra pessoa, em outro relacionamento. Antes da pandemia queríamos mais tempo com a família; agora queremos sair de casa.

E qual é a solução para sair desse jogo de gato e rato? Há muitas formas, que eu vou contar na semana que vem em um texto especial sobre isso. Mas uma delas, principalmente a financeira, é entender e pensar sobre o custo real das coisas que você quer. Tito Gusmão, CEO da Warren, uma startup de investimentos, conta no seu livro Papo de Grana que uma das maneiras que ele descobriu, ainda na adolescência, de evitar o impulso de consumir foi aprender a calcular qual o tempo gasto para comprar qualquer coisa que queria. Esse simples pensamento mudou a relação dele com o dinheiro e as coisas que ele consumia. Que você também faça um sábio uso do seu tempo e do seu dinheiro.

Uma semana muito valiosa pra você!

#SegundaDaCriatividade #BelasLetras #BomDia

 

@guertlergustavo não é filósofo, não é psicólogo, não é palestrante, não é coach, não é guru do marketing, além de não ser mais um monte de coisas. Ele é gente, apenas – e às vezes vai para a Belas Letras trabalhar também.