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voltar Criatividade 16/12/2019 Que tal levantar a mão?

Semana passada, participei de uma mesa de bate-papo sobre empreendedorismo, um evento só para mulheres. O que eu fazia lá? Bom, uma vez por ano apenas o projeto convida alguns homens para participarem. Depois das nossas falas, abriram o microfone para perguntas. Não é incomum a gente participar de eventos que depois ninguém decide perguntar nada na plateia, seja por vergonha, nervosismo, medo, enfim.

E lá aconteceu a mesma coisa. Quando a mestre de cerimônias pediu: “Perguntas?” foi meio que a senha para um silêncio total.

De repente, a gente viu uma mão se levantar. Era de um menino de 17 anos chamado Jackson. O único menino na sala. O único negro. O menino levantou a mão e, quando deram a palavra a ele, ele se levantou para falar. Dava pra sentir o nervosismo dele. Ele explicou que estava ali porque queria aprender mais sobre empreendedorismo. O Jackson mora só com a mãe e os irmãos. Trabalha numa esquina da cidade vendendo balas no semáforo. Quando começou, ele percebeu que havia outros vendedores de balas. E que só baixar o preço das dele não ia adiantar. Ele resolveu montar uma placa em que escreveu mais ou menos o seguinte: “Quero ser empreendedor. Me ajude.”

O Jackson também tem um projeto. O sonho dele é abrir uma empresa para ensinar as pessoas a investir bem seu dinheiro. Para isso, ele criou uma planilha e, se alguém tiver paciência para ouvi-lo além de comprar as balas, ele dá dicas para você se organizar financeiramente.

Eu não me lembro exatamente qual foi a pergunta que o Jackson fez, mas depois alguns dos palestrantes – inclusive eu – fomos lá conversar com ele. Um ofereceu uma estação de trabalho – mesa, computador, telefone, café – e mentoria para ele tocar o projeto dele adiante. Comentei sobre o caso num grupo de whats que tenho e dois donos de startups pediram o contato dele para tentar contratar o menino – as duas de investimentos, uma delas eleita uma das 10 melhores para se trabalhar no Brasil.

Eu não sei o que vai acontecer com o Jackson a partir de agora. Pode ser que aconteça algo, pode ser que não. O importante é que ele levantou a mão e venceu a timidez naquele dia, enquanto dezenas de outras pessoas ficaram quietas e talvez tenham perdido uma oportunidade. O Jackson levantou a mão, se apresentou, contou sua história, e esse momento pode ter sido um dos mais importantes da vida dele. Só porque ele levantou a mão e decidiu se expor na frente de todas aquelas pessoas, mesmo com medo. Ele podia ter ido para casa sem ter perguntado, como todos os outros, e nada teria acontecido de diferente na vida dele. Quantas oportunidades a gente também pode ter perdido por medo de se expor?

Boa semana!

#SegundaDaCriatividade #BomDia #BelasLetras

 

@guertlergustavo não é filósofo, não é psicólogo, não é palestrante, não é coach, não é guru do marketing, além de não ser mais um monte de coisas. Ele é gente, apenas – e às vezes vai para a Belas Letras trabalhar também.

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