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voltar Criatividade 23/12/2019 Que 2020 não nos traga nada

Há um mantra no meio da inovação que repete que é muito difícil que a solução para um problema venha de qualquer parte da estrutura que fez ele existir. Não é incomum que grandes inovações tenham surgido a partir de quem não conhece um mercado, não trabalha nele, mas simplesmente conseguiu, do lado de fora, enxergá-lo sob uma nova perspectiva.

Nosso desafio em 2019 - e nos anos que estão por vir - era sair do conforto da nossa bolha, ouvir e conviver com quem está do lado de fora dela. Aprender. Fomos além das feiras do livro, festas literárias tradicionais e participamos de eventos os mais diversos possíveis, alguns que nunca tinham recebido uma editora ou livros. Ao invés de ir apenas a livrarias, trouxemos leitores de todo o Brasil aqui na Belas Letras para dois dias de conversa, diversão e boas experiências em equipe. Durante um semestre, assistimos a estudantes de design (uma turma ultra empolgada e competente) criando capas e estratégias para a gente, em um projeto em parceria com a Unisinos. E muitas outras coisas que não caberiam aqui, no nosso esforço de tentar enxergar as coisas sob outro ângulo.

A gente acredita que livros, em geral, ainda são muito caros, sim. Queremos torná-los mais acessíveis, por mais difícil que isso seja, por mais que às vezes o mercado acredite que o problema seja o contrário. Livro é ferramenta de transformação, não um símbolo de status econômico ou social; é um produto para incluir, não para excluir. É nosso compromisso agir para mudar isso. E uma parte desse esforço foi reconhecido este ano, quando ganhamos o Prêmio Nacional de Inovação do Sebrae e nos tornamos finalistas do Future Book Awards, na Alemanha, por entre outras coisas, se comprometer em doar 10 mil livros em 2019 (no momento em que escrevo essa carta, são 10.276) por meio do projeto Compre 1, Doe 1. 

A gente também acredita que, embora o Brasil seja um país com graves problemas estruturais (saúde, saneamento básico, violência, desigualdade social), a única saída para uma mudança real é a educação. Em países subdesenvolvidos como o nosso, a solução não vai vir de nenhum governo - nenhum mesmo - seja de direita, seja de esquerda, seja de centro. A solução não vai vir de quem está dentro do sistema que alimenta o problema. O voto, por si só, não vai gerar a transformação. Ela só vai acontecer quando pessoas físicas e jurídicas decidirem agir.

Há muitos motivos para a gente achar que muitas coisas estão erradas hoje. Não há nenhum motivo para não fazer nada a respeito disso. Convido você a, junto com a gente, incluir em seu planejamento para o ciclo 20/30 pequenas atitudes - às vezes tão simples como doar um livro - para fazer sua parte nessa mudança. Atitude. Como diz o Carpinejar, que 2020 não nos traga nada - que a gente vá lá e busque juntos!

Um abraço cheio de gratidão por estar ao nosso lado,

 

Feliz Natal e Boas Festas!

 

Gustavo Guertler

Equipe Belas Letras