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voltar Criatividade 09/11/2020 Para onde você canaliza os sentimentos ruins?

Tenho uma amiga dona de uma empresa de tecnologia com quem estou desenvolvendo um projeto de um livro. Sabe aquelas pessoas muito fora da média? É ela. A gente se falava por whats toda semana, mas de repente, quando a pandemia chegou, ela parou de se comunicar comigo. É compreensível que muita gente passou a trabalhar mais depois disso, então também não fiz mais contato com ela.

Depois de mais de seis meses, ou seja, umas duas semanas atrás, ela me ligou e contou por que a falta de contato.

“Meu pai morreu, Gustavo”.

E ela começou a me contar a história. Não tinha nada a ver com Covid. Ela levou o pai para uma consulta de rotina, ele estava super bem, com dores no estômago muito fortes. Ela foi junto com o pai no médico, mas o médico disse que ele podia voltar para casa que não era nada de mais. Ela teve um pressentimento ruim durante a consulta e pediu se o médico poderia solicitar uns exames. Mas sabe como são os planos de saúde, evitam fazer exames por causa dos custos. O médico insistiu que não era necessário, aquilo ia passar. Ela e o pai voltaram para casa. Dias depois, as dores eram insuportáveis, ela levou o pai no médico, aí fizeram o tal exame que ela pediu, descobriram um problema no intestino. Operaram, mas não deu tempo, ele piorou e morreu.

Minha amiga cremou o pai dela e tomou naquele dia uma decisão num momento de muito ódio. Ia pegar as cinzas do pai, marcar uma consulta naquele médico e, quando ele perguntasse por que o pai não tinha ido, ela ia mostrar a cinzas pra ele e dizer tudo que ela queria dizer.

Mas depois de algum tempo de luto em casa ela desistiu da ideia. Ela pesquisou na internet e descobriu que o erro de diagnóstico que tinha matado o pai era mais comum do que pensava. O mesmo erro matava milhares de pessoas todo o ano no país. Na empresa dela ela se dedicou a desenvolver um sistema que qualquer hospital pudesse usar para detectar o problema já em exames simples de rotina, não somente em um exame específico para aquele fim. Sem nenhum custo a mais. Ela fechou uma parceria com o hospital onde o pai dela tinha sido internado e agora está implantando a invenção em outros hospitais.

Agora ela está travando uma batalha para que usuários de planos de saúde não precisem mais ter autorização de um médico para solicitar por conta própria alguns tipos de exames mais simples. Ah, ela também escreveu uma carta para o médico que atendeu ao pai dela e contou o que havia acontecido. Apenas como um alerta para que ele não cometesse o mesmo erro com outros pacientes daqui por diante. Não é mesmo muito fora da média a minha amiga?

Quando você tem raiva de algo, ou sentimentos ruins vêm à sua mente, como você faz pra canalizar essa energia para construir coisas boas com eles? Que tal pensar mais nisso a partir de hoje?

Uma semana de muita energia para você!

#SegundaDaCriatividade #BelasLetras #BomDia