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voltar Criatividade 13/01/2020 O que precisa ser descoberto em você?

Antes de assinar contrato com uma gravadora (em que ganhariam um centavo de dólar por disco vendido, menos 25% do empresário), os Beatles se apresentaram 292 vezes no Cavern Club. Procuraram três produtores musicais - Norrie Paramor, Walter Ridley e Norman Newell - e levaram três negativas. Quatro, com a famosa de Dick Rowie ("bandas com guitarra estão fora de moda").

Um dia, eles conseguiram que um produtor chamado George Martin aceitasse fazer uma audição com eles. Martin sequer os ouviu ao vivo, mas depois os recebeu em seu escritório para dizer que tinha ouvido a gravação feita para ele e... não tinha gostado do que ouvira. Mas Martin ia sugerir ajustes e disse que fecharia um contrato, porque "não tinha nada a perder".

No começo, ao que tudo indica, os Beatles não eram tão bons como se tornariam um dia. Mas mesmo assim eles subiram 292 vezes ao palco do Cavern Club, ofereceram seu trabalho, se sujeitaram a ouvir críticas e assim se permitiram ser descobertos.

A ideia de que alguém vai descobrir o seu potencial, ou o meu, é um grande mito que só existe nos filmes. Por mais que você seja bom em algo, ou tenha uma vocação, a verdade é que você só vai ser descoberto se você mostrar quem você é. Aquela empresa que você admira não vai bater na sua porta para lhe oferecer um emprego (se bater, desconfie...). Aquela faculdade que você quer entrar não vai te mandar um convite para você pelos Correios, falando sobre como ela o considera um gênio. O amor da sua vida não vai esbarrar em você por acaso e, num passe de mágica, vocês vão se apaixonar (se acontecer, que bom, mas as chances são realmente bem pequenas, acredite). O conceito da autorresponsabilidade é bem simples: você se coloca no lugar onde está. E só vai ser descoberto se você próprio acender a luz que o ilumina.

Convido você a olhar para si mesmo hoje e se perguntar o que o mundo pode descobrir de especial sobre você este ano. E a subir ao palco sem medo de ser vaiado.

Em 2020, exponha-se, arrisque-se, aprenda. Saia do lugar comum que é esperar que as coisas aconteçam. Um bom ano para nós!

 

Uma nota importante: na semana passada, no dia 7, terça, morreu o maior baterista do mundo, Neil Peart, do power trio canadense Rush. Desde 2013 publicamos os livros do Neil, e não seria exagero dizer que ele foi um gênio, na música e nos livros. Sou suspeito para recomendar, mas todos os livros dele são ótimos. Vale a pena especialmente a leitura de Ghost Rider - A Estrada da Cura, em que Peart narra uma viagem de moto que fez cortando Estados Unidos e Canadá depois de perder de forma trágica a única filha e a esposa. É um dos mais comoventes livros sobre luto que já foram publicados. A versão impressa está esgotada (vamos reimprimir em março), mas se quiser você pode conferir o e-book.

E aqui uma performance de Peart em um show em Cleveland em 2011, tocando o hit Tom Sawyer. Que o Professor descanse em paz!

Boa semana!

#SegundaDaCriatividade #BomDia #BelasLetras

 

@guertlergustavo não é filósofo, não é psicólogo, não é palestrante, não é coach, não é guru do marketing, além de não ser mais um monte de coisas. Ele é gente, apenas – e às vezes vai para a Belas Letras trabalhar também.