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voltar Música 11/09/2019 O dia em que a Cyndi me escreveu

Em 1989 Cyndi ressurgiu com um visual mais adulto, sensual, uma voz mais grave (mas com aquele timbre e potência únicos). Alguns criticaram a mudança, achavam que ela tinha perdido seu encanto “unusual”, que o álbum “A Night To Remember” tinha muitas baladas românticas, que ela estaria muito séria por ser Cyndi Lauper. Eu percebi a mudança, mas sabia que devia ter um motivo. Cyndi sempre foi verdadeira, eu sabia que ela estava refletindo uma fase da sua vida naquele momento e continuei apoiando, incondicionalmente, a sua arte.

No final de 1989 Cyndi desembarcou em terras tupiniquins pela primeira vez. Ela veio com a turnê mundial do álbum A Night To Remember. Foram três shows em São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera, nos dias 03, 04 e 05 de novembro, e um show no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, no dia 07 de novembro. Este último foi filmado e televisionado pela TV Globo. Infelizmente, de duas horas de show foram editados apenas 40 minutos para ir ao ar. Até hoje é sonho de muitos fãs ter esse show na íntegra. Quem sabe um dia a Globo lance em vídeo para assistir via streaming ou em um de seus canais na TV fechada. Seria um sonho!

Eu e alguns amigos, também fãs, fomos em todos os shows. Quase não tínhamos dinheiro, mas economizamos e compramos os ingressos, fomos aos aeroportos, em São Paulo e no Rio, e aos hoteis aonde Cyndi ficou hospedada. Consegui tirar foto e demonstrar o quanto ela já era uma referência importante na minha vida, o quanto eu a admirava. Ela sempre foi bastante atenciosa e carinhosa, mesmo quando estávamos somente nós, os fãs e ela. Foi uma aventura incrível e uma experiência de vida maravilhosa que eu nunca esquecerei.

Depois que Cyndi passou pelo Brasil, em 1989, eu escrevi uma carta bastante extensa, contanto da minha admiração por ela, dizendo que fui aos shows. Junto enviei algumas fotos minhas, da minha família e a que tiramos juntos no aeroporto do Rio de Janeiro. Enviei a carta para o endereço que constava no encarte do álbum A Night To Remember, em Nova York.

Em outubro de 1990 fui surpreendido com uma resposta. A própria Cyndi me respondeu (a letra é dela até no envelope onde constam os endereços). Dentro ela mandou uma foto de estúdio autografada e devolveu duas das fotos que eu havia mandado também autografadas, a que estou com ela e outra em que estou ao lado de um quadro dela. Atrás da foto em que estou sentado ao lado de um quadro dela ela escreveu um recado “Querido Rogerio, eu me lembro de você. Desculpe ter demorado tanto tempo para te responder. Obrigada por ter dividido suas fotografias comigo. Se cuide!”. Foram poucas palavras, mas que até hoje é o maior tesouro que tenho na minha coleção!

Imaginar que ela, ainda no auge do sucesso, com uma agenda lotada de compromissos e fãs no mundo inteiro, reservou uma parte do seu tempo para ler a carta que enviei, olhar as fotos, separar duas delas, autografar e ainda escrever um bilhete de próprio punho, dizendo que se lembrava de mim! Esse gesto, a carta, todo o contexto têm um valor incalculável e até hoje me deixa emocionado. No dia em que recebi a carta, ela me trouxe uma felicidade tão grande que não cabia dentro de mim, saí mostrando para todo mundo, até as pessoas na rua, que eu nem conhecia, porque eu queria dividir aquilo que foi tão especial!

 

Eu sou Rogerio Silva, tenho 49 anos de idade e desde os 13 sou fã incondicional da incrível Cyndi Lauper. São quase quatro décadas coloridas, cheias de inspiração e admiração, embaladas com a melhor trilha sonora possível!