fbpx

voltar Criatividade 30/11/2020 Geraldo Rufino, empreendedor

A história da minha família é muito simples: é igualzinha à da maioria dos brasileiros, que saem dos lugares mais simples, longínquos e procuram oportunidades onde elas estiverem. Saímos do fundão de Minas Gerais, dez pessoas, mãe, pai, irmãos, no sentido de São Paulo. Procuramos um lugar para morar, que era uma favela. Mas ali tínhamos uma base, uma fortaleza. Ali constituímos a nossa possibilidade de ascensão, por meio do esforço, da dedicação, da fé, da determinação, de entender que daquele lugar poderíamos sair, desde que estivéssemos dispostos a produzir, a trabalhar, a impactar as pessoas à nossa volta. E todos nós passamos a ter uma trajetória bacana, não importava qual era a função, o cargo, o salário ou o lugar onde tinha conseguido emprego. Minha mãe montou um time.

Através da nossa união a gente se transformou em empreendedores, todos. Uma família gigante, feliz, abençoada. Minha mãe eu perdi muito cedo, com sete anos e meio, mas eu tive uma figura muito forte ainda do meu pai, um gigante, um exemplo. De qualquer forma, os ensinamentos e os valores da minha mãe ficaram. Minha mãe deixou um legado de que através da nossa família, dessa conexão, podemos transformar a sociedade.

Dos meus pais, eu tenho as melhores lembranças. A minha melhor versão foi aos sete anos, porque exatamente nessa idade eu ainda tinha mãe e pai vivos, que me deram muito amor e carinho; ensinamentos que eu podia copiar, os meus valores. Dos meus pais juntos, eu tirei minha melhor versão. Me fortaleci, me blindei. Eu tive dois diamantes na minha vida.

Na infância, eu não tinha inspiração nenhuma. Eu só era feliz. Se me perguntassem “Geraldo, o que você queria ser quando era criança?”, eu responderia “Ah, eu não queria ser nada. Eu só queria ser amado, queria ser mimado”. E eu consegui tudo isso. Pensa num negão mimado! Fui amado, acariciado, protegido, eu tive muito amor, mesmo, de sobra. Eu tive o que todo ser humano quer. Eu tinha meus brinquedos, brincava com um rato – de verdade – ele que puxava meus carrinhos, eu brincava no barro.

Eu não vislumbrava nada além daquela vida simples, mas feliz, morando num barraco de chão batido. Minha adolescência veio antes do normal, digamos, porque comecei a trabalhar com oito anos já. Mas graças a uma boa infância eu tive uma boa adolescência, porque eu aprendi que eu podia transformar o mundo e fazer diferente. Eu tive tudo que eu queria, mas não foi porque eu ganhei; foi porque eu conquistei.

Pensa num sujeito que viveu muito. Minha adolescência foi tudo de bom; me relacionei com muitas pessoas, eu tinha uma energia verdadeira de gostar do outro, tinha aprendido a conviver com pessoas diferentes. Eu convivia com os outros como se fossem meus. Havia uma energia verdadeira em mim de gostar do outro. Eu sempre tinha uma companhia. E nossa responsabilidade era limitada. Nós só tínhamos que viver, sobreviver, agradecer e ser feliz. E eu fiz tudo isso de uma forma brilhante. Eu fui feliz o tempo todo. Então só posso ter a obrigação de agradecer a tudo que eu tive, mesmo que eu não tenha tido tudo. Eu fui plenamente feliz por isso.

Minha vida sempre foi muito boa, sou muito grato por ela todos os dias, porque todos os dias eu posso evoluir. O resto é consequência. Eu tenho três filhos, seis netos. Tenho muitos melhores momentos. Todos os dias me acontecem coisas fantásticas. Minha vida inteira teve momentos fantásticos. Meu melhor momento é aqui e agora, que é igual ontem e anteontem. O melhor momento é quando você levanta de manhã e percebe que teve o privilégio de existir por mais um dia.

Se eu me encontrasse comigo mesmo quando eu era jovem, eu diria o seguinte: “Geraldo, seja menos vaidoso, menos prepotente, menos arrogante, mais generoso, mais humilde, mais caridoso”. Todos nós temos coisas ruins como prepotência, arrogância, vaidade, ignorância, todos mesmo. Eu pediria para ter cuidado com isso, reduzir a dose dessas coisas em mim. Que foi o que eu fiz, e continuo fazendo. Eu tenho certeza que eu seria um ser humano melhor se fizesse isso. E é o que eu busco todos os dias com meu propósito.

Eu diria para mim mesmo: “Aumente a dose de amor e paixão que você tem pelas pessoas. Olhe para dentro e use mais as ferramentas do amor, da paixão, da espiritualidade. Olhe para dentro de si todos os dias, para polir e reforçar os seus valores”. E isso eu venho praticando. Eu carrego sempre comigo minha melhor versão, sempre, que sou eu aos sete anos.

Este depoimento faz parte do livro “Carta para Meu Jovem Eu”, que será lançado dia 10 de dezembro pela Belas Letras.

Boa semana!

 

Criatividade
18/01/2021

Inspiração, por Marcelo Gleiser

Criatividade
11/01/2021

Ambição, por Billie Jean King

Criatividade
28/12/2020

Inspiração, por Desmond Tutu

Criatividade
21/12/2020

Amor, por Neil Gaiman

Criatividade
14/12/2020

Criatividade, por Tiago Mattos

Criatividade
07/12/2020

Destino, por Paul McCartney

Criatividade
23/11/2020

Autoconfiança, por Andrea Bocelli

Criatividade
16/09/2019

Emprego de merda