fbpx

voltar Outras loucuras 29/06/2020 Aprendendo algo novo com p(m)ães

Na editora a gente comemora o dia 1, esse dia é dedicado aos aniversariantes e nós podemos tirar um dia de folga para passar com quem a gente ama e também para fazer alguma coisa pela primeira vez (essa é a regra: precisa ser alguma coisa pela primeira vez, grande ou pequena, não importa).

Bom, enquanto se aproximava o meu grande dia, fiquei muito preocupada porque estamos quarentenados e “o que eu posso fazer pela primeira vez dentro da minha casa?”. Inicialmente, me pareceu que não haveria nada, mas, no segundo seguinte, muitas ideias começaram a surgir e agora eu até acho que delimitar o espaço nos torna mais criativos, mas, enfim, essa é outra história…

De todas as ideias que tive, comecei a filtrar pelas quais estavam há mais tempo engavetadas na cômoda do “quando eu tiver tempo”, então, separei aquelas que eu guardava com mais carinho.

Quando eu morava com meus pais, minha mãe - apesar de sempre ter trabalhado fora - era a responsável por fazer o pão que a gente comia, era uma tarefa só dela, no máximo a gente desligava o forno quando ela pedia. Era uma rotina semanal, um ritual, ela fazia todo o processo com muita dedicação.

Eu sempre pensei que queria fazer isso quando tivesse meus filhos, mas como não os tenho, nunca cheguei a tentar a receita, já que comprar os pães fresquinhos é muito mais confortável.

Mas vamos lá, eu decidi que esse era um bom momento de aprender e começar a testar essa receita que é uma tradição na família. Além disso, posso diminuir as minhas saídas de casa em tempos de pandemia.

Durante o processo, lembrei da minha mãe o tempo inteiro e repeti todas as velhas manias tão observadas. Foi uma forma de me conectar com ela, me senti muito próxima, já que não nos vemos há alguns meses (#acabaquarentena).

Segue aí o processo:

Bom, o resultado foi incrível! Apesar de não ser exatamente o mesmo pão que comi durante a infância, esse pãozinho foi extremamente simbólico e reatou um elo entre nós. Me fez pensar também na obra “Cem anos de solidão”, do Gabo, que nos mostra que certos hábitos são continuamente passados de geração em geração (quase que geneticamente). Dessa forma, mantendo viva uma imagem, uma recordação. A tradição culinária é uma forma de manter-se sempre vivo, sempre perto.

Acho que toda essa nostalgia faz parte desse processo de comemorar mais um ano de vida, a gente fica sentimental. Não vou compartilhar a receita porque, como disse, é uma tradição só da família! hahaha

Eu sou a Raqui e completei 29 invernos no dia 21 de junho. Passei o dia todo do jeito que eu gosto: com meu cachorro (Aslan), meus livros e falando com as pessoas que fazem minha vida ter mais sentido. E aí, que tal entrar nessa de dia 1?

Raquiani Odorcick