All the Way: New Order, Joy Division e Projetos Paralelos
Chegou ao nosso catálogo All the Way: New Order, Joy Division e Projetos Paralelos, a biografia mais abrangente já publicada no Brasil sobre o New Order, cobrindo sua trajetória até 2021. Escrita pelos autores brasileiros Luís Angelo Aracri e Ricardo Augusto Fernandes, a obra é um panorama minucioso sobre uma das bandas mais influentes e revolucionárias do século 20 — sem deixar de mergulhar profundamente na história do Joy Division e nos diversos projetos que orbitam esse universo.
Das tensões criativas ao nascimento de um som único
O livro revisita momentos decisivos da gênese do Joy Division, incluindo as tensas sessões de gravação de maio de 1978, marcadas por conflitos criativos e pela incompreensão em torno do som da banda. Entre os episódios mais emblemáticos está a sugestão para que Ian Curtis “cantasse como James Brown”, além da inclusão de overdubs sem o consentimento do grupo — situações que ajudaram a moldar a identidade que definiria a banda.
A obra também aborda os episódios relacionados à saúde de Curtis, incluindo as primeiras crises convulsivas que levariam ao diagnóstico de epilepsia em 1979. A condição influenciou diretamente letras como “She’s Lost Control”, inspirada na vivência do cantor com uma jovem que também sofria da doença. O impacto de sua morte e o sucesso póstumo do álbum Closer são analisados em profundidade, assim como o sentimento agridoce dos integrantes diante de um reconhecimento que chegou tarde demais.
A reinvenção como New Order
A transição para o New Order é retratada como um período de incertezas e reconstrução. Desde a escolha do nome — que gerou polêmicas por associações equivocadas ao nazismo devido ao termo “Neuordnung” e a referências da Segunda Guerra Mundial na era Joy Division — até a consolidação de uma sonoridade que redefiniria a música eletrônica e alternativa dos anos 1980.
Os bastidores de sucessos como “Blue Monday” revelam um processo de gravação trabalhoso: diante de uma programação longa e exaustiva, a banda fez backup da base rítmica em uma fita cassete, mas acabou descobrindo que o material foi apagado acidentalmente.
Curiosidades, excessos e projetos paralelos
Entre as histórias curiosas, está o convite da Football Association para que o New Order compusesse o tema da seleção inglesa para a Copa do Mundo de 1989 — proposta que dividiu o grupo, que, naquele momento, também cogitava trabalhar com o cineasta Michael Powell.
O livro relembra ainda as passagens da banda pelo Brasil, marcadas por excessos típicos das turnês da época. Em sua segunda visita ao país, os últimos dias em São Paulo foram de festas intensas, a ponto de os integrantes precisarem ir ao aeroporto em cadeiras de rodas.
A biografia também dedica espaço aos projetos paralelos. Um dos episódios revelados é a tentativa de Johnny Marr de formar o Electronic com Peter Hook antes de se juntar a Bernard Sumner. Hook recusou o convite, afirmando estar satisfeito com o momento do New Order e sem planos de iniciar novas empreitadas.
Um legado que atravessa gerações
Com dezenas de fotos inéditas, All the Way vai além da cronologia musical e explora as dinâmicas pessoais e os desafios enfrentados por Peter Hook, Bernard Sumner, Stephen Morris e Gillian Gilbert. O resultado é um retrato profundo de uma trajetória marcada por tragédias, reinvenções e inovação sonora — um legado que continua influenciando gerações.
Para fãs de pós-punk, new wave e música alternativa, trata-se de uma leitura essencial — um mergulho definitivo em um dos capítulos mais fascinantes da história do rock.


