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29/05/2026

3 escritores que influenciaram o universo de Miyazaki

O lançamento do livro Os Mundos de Hayao Miyazaki joga luz sobre um aspecto essencial da obra do diretor japonês: suas referências literárias. Por trás de filmes como Meu Amigo Totoro, O Castelo no Céu e O Menino e a Garça, existem influências que ajudam a entender como Hayao Miyazaki constrói seus mundos, personagens e temas recorrentes.

Entre essas referências, três escritores se destacam por dialogar diretamente com elementos centrais de sua filmografia.

1. Lewis Carroll

Autor de Alice no País das Maravilhas, Carroll aparece como uma influência clara na forma como Miyazaki trabalha a ideia de transição entre mundos. Em seu livro, Alice atravessa um limite entre o real e o fantástico — algo que também acontece em várias animações do diretor.

Um exemplo direto está em Meu Amigo Totoro, quando a pequena Mei atravessa um espaço natural e acaba entrando em um ambiente desconhecido, em uma sequência que ecoa a queda de Alice em outro mundo. Além disso, a presença de criaturas enigmáticas, como Totoro, remete ao tipo de personagem que Carroll popularizou, como o Gato de Cheshire.

2. Frances Hodgson Burnett

Autora de O Jardim Secreto, Burnett influenciou Miyazaki principalmente na forma como ele aborda temas como perda, deslocamento e recuperação emocional. Sua obra acompanha personagens que enfrentam mudanças bruscas na vida e precisam se adaptar a novos ambientes.

Esse tipo de narrativa aparece em diferentes momentos do cinema de Miyazaki. Em O Menino e a Garça, por exemplo, o protagonista lida com a morte da mãe e precisa reconstruir sua relação com o mundo ao seu redor. Situações semelhantes também aparecem em Vidas ao Vento, onde o impacto da doença e da perda afeta diretamente os personagens.

Essas histórias dialogam com experiências pessoais do próprio diretor, especialmente em relação à doença de sua mãe, elemento que se reflete em diferentes variações ao longo de sua obra.

3. Jules Verne

Conhecido por obras como Vinte Mil Léguas Submarinas, Verne contribui para o lado mais aventureiro e exploratório do cinema de Miyazaki. Suas histórias combinam descobertas, tecnologia e jornadas por territórios desconhecidos — elementos que também aparecem nas animações do diretor japonês.

Mas a influência vai além da aventura. Para Miyazaki, as viagens descritas por Verne também representam uma espécie de mergulho interior. Essa ideia pode ser percebida em filmes como O Castelo no Céu, que mistura exploração, fantasia e conflitos em larga escala.

Além disso, a recorrência do tema do voo na obra de Miyazaki também dialoga com esse imaginário de exploração e deslocamento.

Literatura como base de um universo

Como mostra Os Mundos de Hayao Miyazaki, essas influências ajudam a entender como o diretor constrói suas histórias. Elementos como a travessia entre mundos, o enfrentamento da perda e o espírito de aventura não surgem por acaso — eles fazem parte de um repertório que combina literatura, experiências pessoais e referências culturais.

Ao observar esses diálogos, fica mais claro como Miyazaki transforma ideias vindas de diferentes contextos em narrativas próprias, que continuam sendo revisitadas e reinterpretadas ao longo de sua filmografia.